Depois de dois dias voltados ao que vem pela frente, a D23 2026 mudou de ritmo no domingo, 16 de agosto. O último dia não tentou competir com os anúncios de filmes, séries, parques e cruzeiros que dominaram a sexta-feira e o sábado. Em vez disso, o evento voltou os olhos para as pessoas que ajudaram a construir tudo isso.
A programação começou no Anaheim Convention Center com uma conversa sobre a criação dos mundos Disney, ganhou seu momento mais solene no Honda Center com a cerimônia dos Disney Legends e terminou cercada por música. Foi uma despedida menos preocupada em revelar a próxima novidade e mais interessada em lembrar por que essas histórias atravessam gerações.
Disney Worldbuilders abriu o domingo conectando histórias e parques
O primeiro grande encontro do dia foi Disney Worldbuilders, painel apresentado pela diretora Leslie Iwerks e seguido pela estreia do novo documentário de mesmo nome. No palco estavam Pete Docter, Jon Favreau, Kevin Feige, Dave Filoni e Jared Bush, profissionais ligados à Pixar, Marvel, Lucasfilm e Walt Disney Animation Studios.
O ponto de encontro entre trajetórias tão diferentes era justamente a construção de mundos. O documentário acompanha o caminho que transforma uma ideia criada para a tela em um lugar que pode ser percorrido, observado e vivido nos parques. Também mostra como cinema, animação e Imagineering passaram a trabalhar de forma cada vez mais conectada.
Para quem acompanha Orlando, essa conversa ajuda a entender algo importante: uma nova área não começa quando as obras aparecem. Antes disso, existe uma história, uma linguagem visual e uma equipe tentando descobrir como fazer o visitante se sentir dentro daquele universo. É esse processo que explica por que lugares como Star Wars: Galaxy’s Edge e Pandora não funcionam apenas como cenários, mas como experiências completas.
O filme estreia no Disney+ em 20 de agosto. Para o público da D23, porém, a sessão de domingo funcionou também como uma ponte entre os dois grandes temas do fim de semana: o futuro apresentado nos painéis e as pessoas responsáveis por tornar esse futuro possível.
Uma última volta pelo maior pavilhão da história da D23
Enquanto parte do público acompanhava os painéis, o show floor do Anaheim Convention Center viveu suas últimas horas. A edição de 2026 reuniu o maior pavilhão já montado para a D23, com experiências da Marvel, Lucasfilm, Pixar, Walt Disney Animation Studios, Disney+, Hulu, Walt Disney Archives e Disney Experiences.
No domingo, ainda havia tempo para rever a exposição Walt Disney Archives: Uncrated, passar pelo espaço Imagineering: Horizons, conhecer ativações como a experiência da TVA e participar da Disney Experiences Auction - Rare and Remarkable Finds, que colocou em leilão peças ligadas aos parques e resorts.
A programação também abriu espaço para temas que dificilmente caberiam nos grandes showcases. Houve encontros sobre preservação, música, animação e história, incluindo HUZ: Drawn to Life, dedicado ao animador Ron Husband, e uma conversa sobre o legado musical da Disney com o Grammy. Era um domingo de despedida, mas ainda com a sensação de que havia mais coisas acontecendo do que seria possível acompanhar.
O Honda Center trocou os anúncios por homenagens
Às 13h30, o centro das atenções passou para o Honda Center. Josh D’Amaro, CEO da The Walt Disney Company, abriu a cerimônia diante de uma arena lotada, e Ryan Seacrest conduziu a entrega do Disney Legends Award, a maior homenagem concedida pela empresa.
A classe de 2026 reuniu 11 homenagens, com os três Jonas Brothers reconhecidos em conjunto: Chris Berman, Jerry Bruckheimer, Susan Egan, Eric Goldberg, Anne Hathaway, Bob Iger, Kim Irvine, Dwayne Johnson, Jonas Brothers, Lin-Manuel Miranda e Alan Tudyk.
Mais do que recitar currículos, a cerimônia organizou cada trajetória por meio de vídeos, apresentações musicais e convidados ligados à história dos homenageados. O resultado foi um retrato bastante amplo da Disney: cinema, televisão, esporte, música, animação, liderança e Imagineering dividindo o mesmo palco.
Música, personagens e histórias que atravessam gerações
Lin-Manuel Miranda foi homenageado com um medley que passou por Moana, Encanto e Hamilton. Auli'i Cravalho entregou o prêmio, enquanto Jordan Fisher, Nikki M. James e outros artistas participaram da apresentação. Foi um dos momentos que melhor resumiram a noite: trabalhos criados em mídias diferentes, mas que acabaram fazendo parte da memória de milhões de pessoas.
Susan Egan também teve sua história contada pela música. A primeira Belle da Broadway foi celebrada por intérpretes que assumiram o papel depois dela, e o grupo KATSEYE apresentou I Won't Say I'm in Love, de Hércules, filme em que Egan dá voz a Megara.
Os Jonas Brothers foram apresentados por Vanessa Hudgens, em um reencontro cheio de significado para quem acompanhou a geração de Camp Rock e do Disney Channel. O reconhecimento chegou justamente em um fim de semana que também colocou Camp Rock 3 entre os destaques da D23.
A arte de criar vida, com desenho, voz e Imagineering
Eric Goldberg, responsável por personagens como o Gênio de Aladdin e por décadas de animação desenhada à mão, recebeu o prêmio das mãos de Jared Bush. A Disneyland Band completou a homenagem com Friend Like Me, transformando o palco em uma celebração direta ao personagem que marcou sua carreira.
Alan Tudyk foi lembrado pela coleção de vozes que espalhou por filmes como Frozen, Zootopia, Moana e tantas outras produções do estúdio. Ginnifer Goodwin, voz de Judy Hopps, entregou a homenagem ao ator.
Entre os nomes mais ligados aos parques estava Kim Irvine. Em 55 anos na Walt Disney Imagineering, ela participou de projetos que ajudaram a preservar e renovar a identidade da Disneyland, de it's a small world ao Castelo da Bela Adormecida, além de carregar uma ligação familiar com a Haunted Mansion. A apresentação feita por Ming-Na Wen colocou no centro do palco um trabalho que o visitante normalmente percebe nos detalhes, mesmo sem saber quem os criou.
Do cinema ao esporte, uma classe que mostra o tamanho da Disney
Jerry Bruckheimer recebeu a homenagem de Orlando Bloom, seu parceiro na franquia Piratas do Caribe. Chris Berman teve a carreira na ESPN celebrada com depoimentos de nomes do esporte e recebeu o prêmio do ex-jogador Steve Young.
Anne Hathaway foi apresentada pelo diretor David Frankel, de O Diabo Veste Prada 2, e por uma mensagem em vídeo de Anna Wintour. A atriz, que começou sua relação com a Disney como Mia Thermopolis em O Diário da Princesa, agradeceu visivelmente emocionada e definiu sua presença ali como resultado de uma trajetória cercada por muita sorte.
Dwayne Johnson recebeu o prêmio de Emily Blunt, que destacou sua capacidade de redefinir a figura do astro de cinema. Na Disney, a ligação mais evidente está em Maui, de Moana, mas também passa por filmes como Jungle Cruise.
Bob Iger encerrou a sequência de homenagens com uma apresentação de Josh D’Amaro e depoimentos de Al Michaels, Diane Sawyer, Ellen Pompeo, Robert Downey Jr. e Harrison Ford. Depois de duas décadas à frente da Disney, Iger foi celebrado por decisões que mudaram o alcance da empresa, incluindo a chegada de Pixar, Marvel, Lucasfilm e 21st Century Fox, a abertura de Shanghai Disney Resort e o lançamento do Disney+.
A despedida continuou depois da cerimônia
Samantha Barks cantou A Dream Is a Wish Your Heart Makes, de Cinderela, antes da foto final da classe de 2026 ao lado de personagens Disney. Mas o domingo ainda não havia terminado no Anaheim Convention Center.
Às 18h, Alan Menken apresentou A Whole New World of Alan Menken, espetáculo em que relembra as histórias por trás de canções de A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin, Pocahontas, Hércules, Enrolados e outros trabalhos. Depois de uma cerimônia construída em torno de legado, terminar o dia ouvindo essas músicas ao piano parecia uma continuação natural da homenagem.
Às 18h45, Kevin, Joe e Nick Jonas voltaram ao centro das atenções para uma gravação ao vivo do podcast Hey Jonas!. Recém-reconhecidos como Disney Legends, os irmãos revisitaram memórias da relação com a Disney e fecharam a noite com a energia de um encontro entre artistas e fãs.
O que fica da D23 2026
A sexta-feira mostrou as histórias que chegarão às telas. O sábado revelou como essas histórias continuarão ganhando espaço nos parques, nos navios e em outras experiências. O domingo completou o ciclo ao lembrar que nenhuma dessas novidades existe sem pessoas capazes de imaginar, desenhar, escrever, interpretar, liderar e transformar ideias em algo que o público leva para a própria vida.
Para quem acompanha Orlando, o último dia teve menos anúncios práticos, mas entregou uma mensagem importante. Cada atração, música, filme ou detalhe de cenário que se transforma em memória começou com o trabalho de alguém. Celebrar essas trajetórias foi uma maneira muito coerente de fechar a maior D23 já realizada.
E assim terminou o fim de semana em Anaheim: com menos expectativa pelo próximo anúncio e mais gratidão por tudo o que já ajudou a magia a chegar até aqui.
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